sexta-feira, 17 de março de 2017

O peso da nossa bagagem


Há pouco tempo, tenho assistido a série How I met your mother . Muitos episódios fazem-me lembrar de situações que vivi e pessoas que conheci. Outros fazem refletir sobre questões minhas que surpreendentemente, constato que mudaram! Em um desses episódios fala-se sobre o medo que as pessoas têm de “descobrir a bagagem” que alguém com a qual se relacionam carrega.

Passei um longo período da minha vida rejeitando bagagens incômodas. Não conseguia lidar com erros, não queria relembrar momentos ruins, queria apagar partes dolorosas da minha história e achava que essa era a forma de me sentir “leve”: começando do 0, não aceitando o passado, enterrando minhas dores. O grande problema é que isso não apenas me afetava, mas pessoas  que eu amava também. Ouvir sobre seus passados me machucava, eu não compreendia como hoje elas eram de uma maneira  comigo, se antes foram de outra maneira com outros! Não “perdoava”  o fato de terem cometido erros,  sido enganados, amado, vivido  e pior: de não terem se arrependido, mas aceitado e acolhido aquilo que viveram! Como conseguiam viver sem o eterno “ e se tivesse sido diferente” não lhes atormentasse?



Parece loucura, não é? Mas juro que esse medo de carregar o peso da vida e das experiências, doía! Não dava pra conviver com tantas coisas que não deram certo, que magoaram, que fizeram mal, que deram em outro caminho que não o escolhido. Quanto mais eu queria seguir em frente, mais presa a essas questões eu ficava e mais para baixo eu ia!

E o que aconteceu? Aconteceram MUITAS coisas! Passei a trabalhar com pessoas que vivem os seus fantasmas diariamente e meu papel é tentar ajuda-las em seu sofrimento. Passei á fazer novas tentativas, desagarrar do que não havia sido como eu queria, mas que eu não deixava ir embora!  Passei a, novamente, me enfrentar em sessões de terapia, a tentar aceitar que algumas coisas são como são e foram como foram. Parei de querer ser o que eu não era, passei a aceitar quem eu sou! E aí vi que amo as pessoas que amo por quem elas são! E se são o que são, é porque viveram o que viveram!

Sim, eu demorei quase 30 anos para perceber que o que deixa a bagagem leve é saber carrega-la com carinho, aceitando-a como parte de sua própria composição. E se ainda for muito pesado, sempre haverá alguém para te ajudar a carregar, assim como você também pode servir de apoio a esse alguém.


Todos nós temos nossa bagagem, nossa história, nossas experiências boas e ruins, elas fazem parte de nós e não há como mudar! Mas há como rever! Como reavaliar e resignificar e fazendo dessa forma, haverá muito mais espaço interno em nossa bagagem para que coisas melhores a preencham!

domingo, 12 de março de 2017

Bem vindo ao Mandala-Land !


Eu sempre amei escrever! Antes de pintar, eu já escrevia. Criei meu primeiro blog aos 14 anos justamente para me comunicar e colocar em palavras o que eu sentia. De lá para cá, meu estilo de escrita mudou muito, indo de períodos mais pessoais e reflexivos, aos mais poéticos, até chegar ao político. Eu cresci e minha maneira de escrever foi seguindo essas mudanças.

Contudo, de mais ou menos um ano para cá, deu um “boom” gigantesco na minha cabeça e na forma em que eu via as coisas, inclusive a mim mesma! Passei por inúmeras experiências profissionais e pessoais que foram ampliando meus conhecimentos e diminuindo meu tempo. Fora isso, e falo com certa dor no coração, aquele espaço, infelizmente, não me representava mais. Ali vivi muito e muito intensamente, não me arrependo de nenhuma linha escrita, mas não mostra quem eu, Dayane, aos 27 anos de idade e blogs desde os 14, sou agora. Sentia que tudo o que dissesse poderia se confundir com coisas que disse há tempos atrás ou fases que já superei. E isso não me deixava mais a vontade.

Pensando em como todos esses sentimentos me impediam de continuar escrevendo, resolvi então finalizar o Etérea Essência (que continuará na internet) e dar a mim mesma a chance de conhecer essa Dayane mais velha, com uma postura mais positiva e realista da vida, com dor nas costas e cansada, mas feliz, de tentar dar o melhor de si em tudo que faz.


Bem vindos ao meu novo espaço! Bem vindos ao Mandala-Land!