sexta-feira, 14 de abril de 2017

Calejar


Ao mesmo tempo em que denota amadurecimento, é estranho perceber o quanto o “calejamento” se instala na gente. Aquilo que antes doía tanto já não causa a mesma sensação. Aquilo que era tão importante, se torna comum. O que era motivo de extrema felicidade se torna rotina. Aquele tempo dispensado pensando sobre assuntos que te tiravam as paz, agora é gasto com problemas muito mais concretos, como os boletos que vem todo mês. E a vida vai se tornando um compilado de obrigações salpicado de alguns momentos de insensatez - para não perder a sanidade.

E tudo vai ficando monótono, apático...

O positivo é que você não passa mais horas chorando pelos sentimentos que antes te corroíam e nem sente mais tão funda a ferida que sempre esteve ali. Ela já não incomoda tanto, pois foi superada por dores maiores.


Você percebe que nada é mais tão essencial como fora, que outras urgências surgiram e que a vida é muito diferente de poucos meses atrás. O amor é mais brando, o ódio também. Os ciúmes, a inveja, o rancor...nada disso pesa quanto antes. Mas o que dói é ver o amor se aquietar.

domingo, 9 de abril de 2017

Talvez


Nem todas as mudanças são boas de viver. Às vezes, as mudanças doem e é por isso que inconscientemente a evitamos tanto.

É realmente difícil se dar conta de que algo que já te fez feliz talvez não esteja mais dando certo. É doloroso notar que não foram faltas de tentativas, não foram erros. Acontece que certas coisas são como são e não há porque se magoar com isso ou culpar as partes. Chega uma hora que simplesmente temos que aceitar a natureza e seguir em frente. Ainda assim, é uma atitude difícil, é um passo que machuca, mesmo sabendo que é o melhor á ser feito.

Tenho medo das consequências de minhas escolhas, por isso mesmo elas são muito bem pensadas. Gostaria de poder ver meu futuro e saber se acertei ou não.  Então vou adiando minhas decisões, por que sei que quando tomadas, elas são definitivas. Tenho medo do definitivo, tenho medo de errar.


Já se esgotaram as possibilidades, o que poderia ser feito, já foi. Agora é esperar as consequências dos nossos atos.

terça-feira, 4 de abril de 2017

O outro lado do espectro


Eu não me dei conta dessas mudanças não tão sutis. Logo eu, que sempre senti tudo queimando na pele, abrindo por dentro, expelido, vomitado. Eu que sempre engoli tanta coisa não por querer, mas por que sempre foi assim.

Agora me vejo em uma casa redecorada com coisas que não notava antes, aliás, não  vi que eu mesma a decorava aos poucos e ainda a decoro. Não é como se eu houvesse mudado de casa, sempre estive aqui, mas a gora, a reconheço.

Faço parte de um espectro que sempre foi dotado do lado mais escuro e impreciso, alternando poucas vezes para a luz, mas agora é diferente. Sem notar estou no outro extremo, vibrante, ainda não clara e nem suave, mas berrante.


Faço parte de mim agora, me sinto integrada. Não sou mais várias oscilações de cores, reconheci meu espectro, reconheço-me como sou. Sou inteira.