terça-feira, 4 de abril de 2017

O outro lado do espectro


Eu não me dei conta dessas mudanças não tão sutis. Logo eu, que sempre senti tudo queimando na pele, abrindo por dentro, expelido, vomitado. Eu que sempre engoli tanta coisa não por querer, mas por que sempre foi assim.

Agora me vejo em uma casa redecorada com coisas que não notava antes, aliás, não  vi que eu mesma a decorava aos poucos e ainda a decoro. Não é como se eu houvesse mudado de casa, sempre estive aqui, mas a gora, a reconheço.

Faço parte de um espectro que sempre foi dotado do lado mais escuro e impreciso, alternando poucas vezes para a luz, mas agora é diferente. Sem notar estou no outro extremo, vibrante, ainda não clara e nem suave, mas berrante.


Faço parte de mim agora, me sinto integrada. Não sou mais várias oscilações de cores, reconheci meu espectro, reconheço-me como sou. Sou inteira.

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