sábado, 20 de maio de 2017

Autenticidade gera solidão. E porque não?


Minha vida toda eu lidei com controle, tanto meu quanto dos outros sobre mim. Tenho uma grande dificuldade em deixar as coisas apenas fluírem, a ansiedade faz com que eu procure tomar a frente das minhas escolhas, antes mesmo de serem atos concretos. Estou com a cabeça  5, 10, 15 anos à frente do meu próprio tempo, imaginando como irá ser se eu fizer isso ou  aquilo. Não me permito parar nunca, estou sempre em movimento, seja ele externo ou interno (o que é  frequente). Contudo, meu controle é exercido unicamente sobre a minha vida, ele não tenta agir na vida de terceiros. 

É estranho falar isso, já que sou uma cuidadora por vocação e formação, mas cuidar de gente é diferente de cuidar da VIDA de gente. Eu quero saber se posso ajudar de alguma forma, me mostrar presente e prestativa, aberta a ouvir quando necessário. Me preocupo com o bem estar das pessoa, tanto que fiz desse “dom” uma profissão. Porém, acredito que uma forma de cuidar é deixando que cada um tome suas próprias decisões e entendendo que o outro é o outro e não me deve satisfação nenhuma, assim como eu não devo a á ele, há não ser que seja algo que envolva as duas partes.

Esse meu jeito de ser causa um enorme desconforto nos que me cercam. A forma como eu pareço não me preocupar com o que as pessoas possam  pensar sobre minhas atitudes fere bastante egos alheios. Muitos me alertam, sei bem, como uma forma de proteção. Mas proteger do que? Da opinião de quem se quer tenho convívio? Dos pensamentos de pessoas cheias de recalques e projeções?

Além disso, algo que nunca consegui  foi “parecer”.

Principalmente no meio profissional, aprendi que não basta você ser competente, ser dedicado,ser bom no que faz, você tem que “Parecer” e na maioria das vezes isso pesa mais que o “ser”. Tem que parecer ser bom profissional, seja para seu chefe, para seus colegas, você precisa construir uma imagem. O tempo todo,tem que estar se afirmando e “mostrado serviço” para ser reconhecido.

Mas, mesmo minha personalidade sendo maior que essa pressão, a sensação de não me encaixar nas expectativas alheias também me traz algum sofrimento. É como se , sendo quem  sou, estivesse fadada à solidão, como se eu fosse de certa forma, decepcionante .

Esses dias conversei sobre isso com minha psicóloga, como já tentei me enquadrar em modos de vida de outros para não me sentir sozinha, sempre sem sucesso.  Ela me disse algo como: “Todos nós estamos sozinhos, você escolhe se vai ser feliz sendo você mesma ou tentando agradar aos outros.”

É meio dolorido, mas como dona das minhas escolhas, decidi que vou pagar o preço de estar mais só sendo quem sou, que junto sendo quem gostariam que eu fosse. Desisti de querer parecer, me contento em ser.Contento-me em saber o suficiente a respeito de mim mesma , á ponto  de me permitir transparecer ser coisas que não sou á quem nem se quer me interessa!


Ser você mesmo é difícil, traz uma certa solidão. Mas agora sei: Antes só do que mal acompanhada!

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