segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Em meio ao caos, Feliz aniversário

Hoje, eu completo 28 anos.

Há poucos dias atrás, um amigo meu se suicidou.

Eu nunca tinha passado por algo parecido, nunca a morte foi um soco tão forte na minha cara. Nunca! Acredito que grande parte das pessoas já pensou, mesmo que “de brincadeira”, em morrer. E mesmo quem acha que pensa a sério, descobre que era apenas de “mentirinha”  quando vê alguém do seu lado partir dessa forma, porque não há nenhuma dor imaginável que faça você compreender como essa pessoa conseguiu forças para isso! É como se a morte pousasse no seu ombro e te observasse de perto. É como uma bala perdida que poderia ter te acertado e você então, se dá conta que seu corpo ainda tem vida. 

É muito diferente de quando perdemos alguém por causas naturais, ou até mesmo brutais,mas que o levou “na hora certa”: “Era a hora dele”, “ele cumpriu sua missão na terra”. É difícil cair a ficha “ele planejou  sair desse plano”. Fica um vazio horrivelmente desconfortável, uma sensação de violência, de raiva, de inconformidade e desamparo.

É sério que ele não vai mais dobrar a esquina perto da estação de trem, abrir seu sorriso e me dar um forte abraço?

Que dor foi essa tomou esse coração? Que espírito foi esse que levou o meu amigo?

Um dia, pensei que soubesse o que era querer partir desse mundo. Hoje eu sei que isso nunca chegou aos pés da perturbação que meu amigo sentiu.

Nesse aniversário, estou sentindo meu corpo presente. Sentindo como se uma nova chance me fosse dada, como se, de verdade, a vida fosse algo precioso que precisa ser zelado. Porque enquanto eu ainda estou aqui, mil e uma coisas podem acontecer. E quando eu me for, o que mais poderá ser feito? Quem garante que há outro lado? E quem garante que, se houver esse outro lado é bom? Que será melhor do que aqui, por pior que aqui possa ser?

Esse não é um texto moralista, eu não julgo ninguém que sentiu um desespero tão imenso a ponto de tomar tal decisão. Esse texto é para perceber que estou viva, que sou resistente e que quero continuar sendo assim.


Feliz 28 anos de resistência nesse mundo caótico, que engole  sempre os melhores, pra mim!

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